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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Os dois lados certos da moeda




            Apesar de tentar não entrar na moda de criticar “lado A” ou “lado B”, muito fiquei incomodado com as várias incongruências colocadas por muitas pessoas nas redes sociais, especialmente os famosos twitter e facebook, nos quais tenho visto muitos que se auto intitulam militantes gays, negros, evangélicos, intelectuais, entre outros aspectos; principalmente no que se refere a opiniões alheias de um certo presidente de comissão da Câmara Nacional dos Deputados, pois bem iniciarei pelo fato em que toca minha opinião enquanto homem; negro assumido, feliz, pobre, brasileiro, minimamente intelectualizado e sendo assim tenho COMPROMISSO com o bom conhecimento e a verdade nas informações.
            Não há que se defender um lado como certo ou errado, pois a história por si mesma traça o cenário social do Brasil em estamos hoje e, os insatisfeitos que briguem com as estatísticas, facilitando a vida dos mais teimosos basta ir ao domínio eletrônico http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 e se debruçar nos números fornecidos pelo instituto que coloca as claras que 67,38% da população brasileira é negra e, deste montante 93% é constituído de negros pobres, remediados, miseráveis e indigentes; ora se até mesmo a presidente da República assumiu durante o Encontro Ibero-Americano de Alto Nível, ocorrido dia 19/11/2011, que a pobreza brasileira tem face negra e também feminina, ficou incontestável o que todos dizem ser absurdo e, não por uma maldição  como afirmado pelo pastor e também presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Nacional dos Deputados, que diga-se de passagem conhece muito pouco de história e sociologia brasileira e geral.
            Primeiro nem se precisa colocar que a Maldição de Cã descrita na Bíblia no livro de Gênesis capitulo 9 versos 19-29 foram propositalmente manipuladas em algumas edições, como a paulina, para fomentar a escravidão de negros africanos, porque será que em si mesmo o corpo do texto em momento nenhum se refere a cor negra, porque será que em algumas edições foram inseridas notas que sugerem que Cã e seus descendentes eram negros? Realmente não é lamentável observar pessoa que acreditam e propagam isso, ora essa deturpação foi à razão para o extermínio de aproximadamente 20.000.000 de negros africanos no processo da Diáspora Africana, o negro não veio para o Brasil de vontade própria, não foi e, via de regra, não é bem tratado no Brasil e, quando tinha suas esperanças de melhora na Abolição, a mesma o lançou na pobreza extrema, miséria, indigência, ignorância, marginalidade e criminalidade, o resultado todos vivenciamos hoje em dia a letalidade da polícia, pessoas que ainda morrem da decorrência de sintomas da anemia falciforme, educação da pior qualidade, entre outros aspectos.
            Assim negar o racismo na realidade do Brasil é o mesmo que acreditar no “voo do homem invisível”, mais lamentável ainda é ver pessoas que se dizem minimante esclarecidas, ou seja, acadêmicos apregoar que ‘ninguém atualmente tem nada que ver com essa realidade’; que ‘não existe indenização a ser dada a “essa” gente negra’; que ‘não há racismo, isso é se colocar como vítima’ entre outras argumentações (Ianni et. al., 2005).
            Tais argumentos são questões teóricas superadas, não corrigidas por impedimento de uma população que pouco se conhece e cede uma pressão social pequeno-burguesa, para os pouco esclarecidos historicamente havia sim um projeto de Assentamento de todos os escravos alforriados na Abolição, entretanto a burguesia brasileira ainda assombrada pela Revolução Haitiana não deixou que isso ocorresse e o projeto foi alterado (Barbosa, 1999), assim fica esclarecido esse argumento racista do pastor e deputado da citada comissão da Câmara Nacional de Deputados, para mais informações consultar primeiramente os autores clássicos Wilson do Nascimento Barbosa, Joel Rufino dos Santos, Caios Prado Jr., Otávio Ianni, Kabengele Munanga, e posteriormente outros que lhes forem mais palatáveis e, depois emita opiniões, pois é isso que uma pessoa esclarecida faz, e não como o pastor e deputado que mostrou que nem o básico de sociologia e história brasileira e geral sabia.
            A questão que o pastor e deputado coloca em relação às pessoas homoafetivas é de opinião infeliz por parte dele e, escolha por parte dos homossexuais. Não me delongarei mais, mas o contexto do PLC 122/06 é muito necessário no que se refere a criminalização da discriminação contra homoafetivos, porém deve esclarecer bem o que é ou são crime de discriminação contra homossexuais.
            Primeiro o pastor quando afirma “os sentimentos homossexuais são podres” ele incita sim o ódio contra a classe. Por outro lado as religiões cristãs (Evangélicas, Católicas, Neopentecostais e Protestantes) no Brasil tem como fonte doutrinadora a Bíblia, sendo assim este livro deixa claro que o comportamento homossexual é intolerado e não aceitável por Deus, para consulta ver os livros bíblicos: Genesis 1: 27,28;  Levíticos 18: 22,23; Provérbios 5:18,19; Gálatas 19-21; 1 Coríntios 6: 9,10. Assim é direito de todo líder religioso manifestar sua fé e, não celebrar, por exemplo, um casamento gay sem que haja para si ônus oriundo de punição por lei, o que não dá liberdade a tais líderes para incitação ao ódio contra os homossexuais.
            Assim é escolha da pessoa homossexual ser ou não cristã, desde que saiba que é direito assegurado por lei a manifestação religiosa sem ônus de punição parte de lei, porém o respeito e tolerância devem ser fatores indispensáveis a ambos os lados envolvidos, bem como congruência e anuência na formulação de leis, pois é inconcebível que ainda hoje haja pessoas que pensam que outras devem simplesmente ser eliminadas sem nem saber o histórico psicológico, social e mesmo biológico do seu semelhante, é necessário saber antes de falar e mesmo sabendo é preciso cuidado ao professar algo.


Felipe Barbosa Teixeira
 Movimento Negro de Rondonópolis

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